Domingo, 2 de Julho de 2006

Aos Papeis

Por entre os papéis, a que ando a dar uma volta, encontrei este escrito  duma pessoa muito querida que, em algumas pinceladas, nos transmite toda a magia e a história de Sintra:

 

 

"Recordações de uma tarde de Verão

Galamares, no fim de uma bela tarde de verão, mais precisamente a 2 de Set de 95.

 

Na sua acolhedora LEO ", Deolinda recebia família e amigos. Apesar dos 80 anos que fazia naquele dia não se diria que era uma mulher daquela idade. Magnifica forma física , mantinha o ar grave, mas elegante que sempre lhe conhecera.

Á chegada não me escapou a agradá vel sensação de bem estar que transmitia a sua face que não escondeu um sorriso e um olhar de satisfação que traiam a aparente contenção que é timbre do seu caracter de enorme firmeza e determinação. A m á scara caíra por instants deixando a descoberto um enorme calor humano imanente apenas oculto.

Do pátio anexo à sala não pude deixar de admirar a paisagem luxuriante daquela encosta da Serra da Lua, a Xantia dos à rabes, dominada pela vegetação exótica da Quinta da Penha Verde e pelo majestoso Pal á cio de Monserrate. E pensei que afinal havia uma enorme coerência entre as origens à rabes daquele lugar e os românticos devaneios orientalistas dos mecenas do século XIX. Daquele ponto poucos se apercebiam que est à vamos perante séculos de beleza carregados da memória histórica que varria toda a civilização. Desde os cultos pré-históricos da Lua, às magias druidas dos celtas, às adorações mitológicas dos romanos, ao arianismo dos godos, aos cultos das sagas nórdicas, à prática tica por setecentos anos do islamismo à rabe, até passando pelas estelas indianas inscritas em sânscrito do hinduísmo trazidas por D. João de Castro no século XVI, Sintra  foi (e é) palco de mais anos de história de outras religiões do que dos 900 anos de cristianismo.

Os habitantes, as pedras, as fontes, os nomes, os costumes  são testemunho da singularidade deste lugar da Terra. E os escritos de Plinio , Edrisi e muitos outros à rabes não se esgotam por essas épocas. Para não falar de Gil Vicente, Zurara, Damião de Góis e Camões e das mais belas p à ginas de Eça  nos Maias, Byron que aqui começou a escrever Gondom Childe e lhe chamou Éden glorioso, Robert Southey que lhe chamou 'o mais abençoado torrão do globo habit á vel', Armand Dyot que a denominou 'oitava maravilha do mundo', Jorge Borrow que disse que ' se h á paragem do mundo que mereça a designação de terra encantada é Sintra. Percebo porque razão Richard Strauss disse que Sintra era a coisa mais bela que vira dizendo: "Este é o verdadeiro jardim de Klingsor e l à no alto est à o Castelo do Santo Graal". Por aqui abundam antas, menhires, aras romanas, inscrições à rabes, a Casa de Meca, a Capela a Santa Catarina do Sinai, Monserrate das lendas do Rei Artur. Sintra é para além de maravilhosa um repositório dos mais valiosos símbolos das civilizações indo-europeias.

E por último ,a história das relações da minha família dava para um romance. Para mim uma enciclopédia de recordações cobrindo 60 anos de vida. Dava para uns Thibault de Roger Martin du Gard ou para uns Buddenbrooks de Thomas Mann, se houvesse talento para  tal e se ainda houvesse espaço para literatura deste tipo.

                                                                                                       "

 

 

PS: Peço desculpa a quem já deixou o seu comentário, mas por falha minha o post saiu antes de completado com as fotos (desta amadora) e a música devida. Falhas humanas

publicado por jo às 00:42

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29 comentários:
De soaresesilva a 2 de Julho de 2006 às 01:01
Gostei muito deste texto que tanto elogia Sintra. Também acho que esta vila é das coisas mais belas que existe em Portugal. É que tem um mistério, uma magia, um encantamento ...Gostaria de ler mais sobre ela, principalmente da sua história e das tais ligações de família que neste texto são referidas.
O autor não escreveu mais?
De jo a 2 de Julho de 2006 às 09:50
Não há mais escritos sobre este tema, só se ainda vier a encontrar. Mas em breve publicarei outros.
De apcost@gmail.com a 2 de Julho de 2006 às 03:45
Falando em Sintra, venho a correr!
É uma das minhas fugas, embora ainda me faltem explorar tantas histórias e fantasmas :-)
No meu blog, há um "Segredo" sintrense.
Este teu post também tem um segredo velado.
Talvez toda a velha Cintra tenha segredos ;-)
De mareserras a 2 de Julho de 2006 às 09:44
Que saudades de tomar um café e olhar a Serra de SINTRA.
UM beijinho

VIVA PORTUGAL


De jo a 2 de Julho de 2006 às 09:50
Não consigo chegar até ti porque não deixas endereços.
Bjs
De soaresesilva a 2 de Julho de 2006 às 14:05
João, se for à lista dos blogs que visito lá encontrará o link pata este blog
De jo a 2 de Julho de 2006 às 22:54
Já fui e obrigada. K distracção.
De Bia a 2 de Julho de 2006 às 14:20
Olá! Passei para desejar um bom domingo! Sintra é uma vila muito bonita e histórica.Também gosto muito de Sintra.
De Martuxa a 2 de Julho de 2006 às 23:29
Lindo lindo lindo
Sorrisos e muitos beijinhos
De * a 2 de Julho de 2006 às 23:40
Uma bela viagem!
De bel a 3 de Julho de 2006 às 12:37
As imagens são lindas transmitem calma
boa semana
De Quico, Ventor e Pilantras a 3 de Julho de 2006 às 13:33
Sintra, foi, é e será, sempre uma beleza! Com mouros ou sem mouros, com árabes ou sem árabes, com Byron ou sem Byron, com romântcos ou sem eles, ela ali está para ser apreciada por todos aqueles que saibam apreciar coisas belas. Sintra é feita por todas as Deolindas que a souberam ohar e amar e agradecer aos deuses tanta amabilidade por tantas belezas! Bjs.
De catarina a 3 de Julho de 2006 às 14:31
Ola,

que bela descriçao de Sintra!!

Sempre tive vontade de conhecer essa cidade, linda e quase màgica, mas até aqui adiava porque me parecia longe do norte. Agora que tenho que fazer centenas de quilometros sempre que quero regressar ao meu norte, Sintra até parece pertinho :)

Um bjto grande para as duas e uma boa semana cheia de emoções do futebol :)
De segundavida a 3 de Julho de 2006 às 16:56
Uma bela retrospectiva de Sintra. Sintra, os seus palácios, o castelo mourisco, as paisagens luxuriantes, os jardins, a serra, as praias, o microclima, o misticismo e tradições. Felizmente conheço grande parte de Sintra, realço o palácio da Pena, Monserrate e os seus belos (admiráveis)jardins e ultimamente o Palácio da Regaleira, verdadeiramente espectacular. Um senão, o castelo dos Mouros, mal conservado, uma "pena" ao pé do palácio. Boa semana, um abraço!

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