Quinta-feira, 21 de Setembro de 2006

Cidade - Asfixia

 

CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.

Sophia de Mello Bryner, 1944

publicado por jo às 22:23

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24 comentários:
De Maria Papoila a 21 de Setembro de 2006 às 22:52
É absolutamente arranjar modo de não se sentir sufocado nesta selva de cimento.
Sophia canta como ninguém...
"Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes."
Bela escolha!
Beijo
De mlourdes a 21 de Setembro de 2006 às 23:09


Gosto muito da Sophia, só discordo que a cidade nos isole. Ou seremos nós que nos isolamos na cidade? Ou o nosso egocentrismo... libertarmo-nos dos nossos muros era saudável, ou não? ... deixemos para trás... Milú
De Praia da Claridade a 22 de Setembro de 2006 às 02:06
Bonito poema de Sophia de Mello Bryner que nos faz lembrar muitas zonas de cidades deste País onde, muitas vezes, acabam com as zonas verdes para colocar "blocos de cimento" para habitar...
Ainda ontem estive em Lisboa e mais uma vez verifiquei a "Asfixia" do cimento...
Mas infelizmente não é só na Capital...
Um Bom Fim de Semana.
Um grande Abraço.
De Ventor a 22 de Setembro de 2006 às 10:01
É verdade que a cidade nos asfixia, mas também é verdade que nós nos deixamos asfixiar por ela (s). Para além de todos os problemas que a cidade nos impõe, como a falta de zonas verdes e de espaços, nós devemos procurar os espaços, mesmo que seja em seu redor. Mas a maioria das pessoas, nasceram para serem asfixiadas pelas cidades. As pessoas gostam de viver na mentira dos cinemas, dos teatros, dos cafés, de ...
Não é por acaso que, numa zona como a grande Lisboa, onde ainda haja zonas verdes, nunca vejo mais de meia dúzia de pessoas, 2 ou 3 carros com uma pessoa cada e outras 2 ou 3 mais afoitas, que vão a pé. As pessoas gostam mesmo de ficarem em casa, nas visitas aos amigos, nas mentiras artísticas dos cinemas, na poluição do café, à espera que o meu amigo Apolo lhes traga porta dentro, sorrindo, tudo o resto de que precisam. Quando dão pelo facto de isso não acontecer, lastimam-se! Claro que temos poucas zonas verdes e longe daquilo que almejamos, mas vale mais uma árvore de que todas as mentiras que as fitas cinematográficas nos mostram. Bjs.
De Sindarin a 22 de Setembro de 2006 às 13:11
Olá amiga! Desculpa a ausência mas tenho andado adoentada. Tenho tido tantas tonturas k nem consigo escrever no PC mas agora penso k já esta a passar. Não me canso de dizer k adoro Sophia e todas as suas manifestações liter´rias. Uma grande perda sem dúvida para a língua portuguesa. Um grande beijinho e obrigada pela amizade.
De soaresesilva a 22 de Setembro de 2006 às 15:17
Estou como o Ventor: é preciso procurar os espaços verdes (já poucos) na cidade e desfrutá-los o mais possível
De Mel de Carvalho a 22 de Setembro de 2006 às 16:27
Meu amigo, as cidades são apenas o reflexo do estado de (des)valor a que votámos o Mundo.
Nada importa, tudo é da responsabilidade do outro.

Era eu pouco mais que uma adolescente (já lá vão mts anos), li uma frase de um autor espanhol de que não me recordo sequer o nome, mas que me marcou profundamente.

Dizia: "Se não podes fazer coisas grandes, podes fazer coisas pequenas de uma grande maneira". Bem amigo, este é o meu princípio, tentar dar pequenos passos, da maneira maior que for capaz.

Um passinho pequenino de todos e as nossas cidades estariam muito melhores...

Posto isto, apenas um abraço e um extracto de um outro poema, desta vez de José Gomes Ferreia:
"Entrei no café com um rio na alguibeira e pu-lo a correr no chão,
a vê-lo correr na imaginação!...

Pois é, Amigo, mesmo na cidade podemos sempre por a correr o rio que desliza ávido dentro de nós ... e, assim sobreviver melhor ao emaranhado de betão!

Um beijo de Mel, uma flor e uma romã aqui do quintal do meu posto de trabalho ...
De Roby a 22 de Setembro de 2006 às 16:30
Pois é querida amiga...
É por estas e muitas outras razões que amo a vida no campo...
Me diluo no verde, nas flores, no chão...
Naquele aroma de café colonial passadinho na hora...
Aquele pãozinho caseiro feito ao forno de barro.
Ver as crianças jogar bola no campinho...
Ouvir canto de galo pela matina, os pássaros a cantarolar no peitoril das janelas...
Os majestosos girasois alegrando os pampas...

Ahhh minha linda, se eu pudesse viver no campo...
Apesar que não posso reclamar, pois vivo no meio de uma vasta floresta, ladeada por cachoeiras..
Muito lindo!

Bjus querida...bom final de semana.
De zeca a 22 de Setembro de 2006 às 19:02
Passei pela tua rua e como vi que tinhas as janelas fechadas, deixo aqui os votos de um excelente fim de semana.
Fica bem
De Manuel a 22 de Setembro de 2006 às 22:37
Um belo poema que nem devo dizer nada. A magia da pessoa que o escreveu deixa-nos deslumbrados.
Fica bem.
Manuel

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