Domingo, 30 de Setembro de 2007

APELIDOS PORTUGUESES


Árvore geneológica da Família Cornaro

 

Notas e Dicionário das Famílias Portuguesas

de D. Luis de Lancastre e Távora

 

"Os apelidos começaram por não existir e o aparecimento do uso dos nomes de família é bastante posterior à fundação da nacionalidade. É certo que já no século IX se nos deparam indivíduos nomeados em documentos oficiais com nome próprio e patronímico. Este porém mais não era do que a indicação do nome paterno."

 

"Foi no período compreendido entre o terceiro quartel do século XII e finais da centúria seguinte que começaram a generalizar-se em Portugal os embriões  daqueles agregados familiares que viriam por fim a usar os primeiros apelidos ou nomes de família."

 

"Provenientes das designações  das regiões de origem e morada ou de senhorios e propriedades, e também de alcunhas, esses apelidos só aos poucos vieram a ter uso continuado nas descendências dos seus utentes primevos e, portanto, a individualizarem pessoas interligadas por próximos laços de consanguinidade."

 

" A mais copiosa fonte de  que brotaram os nossos apelidos é a do mundo animal. Dele sairam as famílias dos Leões, Carneiros, Borregos, Cordeiros, Raposos, Galos, Pintos e Coelhos.

Outro abundante manancial de apelidos é o mundo vegetal e aí temos as famílias dos Pinheiros, Carvalhos, Pereiras, Oliveiras, Soutos, Moitas.

Aos ofícios houve igualmente quem fosse buscar o nome formando as famílias dos Marchantes, Marceneiros, Carpinteiros, Ferreiros.

Os defeitos ou qualidades físicas de alguns produziram os Feios, os Belos, os Ruivos, Trigueiros.

A moral originou outros como os das famílias dos Bons, Severos, Leais.

É também de salientar que a maioria da onomástica familiar portuguesa é formada por patronímicos."

 

DICIONÁRIO DE APELIDOS

 

ABREU - Este apelido tem também raíz toponímica visto provir da designação da terra e honra de Abreu, hoje termo de Monção. Trata-se de uma família com nobilíssimas e remotas origens, que se poderão situar ainda no séc. XII.

 

ANDRADE - Família de grande nobreza e antiguidade proveniente da Galiza, cujo nome deriva da vila de Andrada. Várias vezes os seus membros passaram a Portugal, mas foi só Rui Freire de Andrade que aqui se fixou em definitivo com seus dois filhos, em pleno século XIV, deixando larga descendência que adquiriu grande lustre ao longo das gerações.

 

CAMPO ou CAMPOS - Nome de raíz naturalmente toponímica, é um único se bem com a variante do plural. Uma das famílias que o adoptaram por apelido é de origem espanhola, tendo passado ao nosso país um ramo em finais do século XIV, aqui se ligando por casamento a famílias de boa e comprovada nobreza.

 

COSTA - Este apelido identificou uma família da nobreza medieval portuguesa que poderá derivar de um protonotário apostólico que viveu no nosso país em princípios do século XIII, de origem grega e denominado Nicolau Kosta.

 

CARVALHOSA - Nome de origem toponímica, visto que tirada  de uma Quinta na comarca  de Santa Cruz  de Riba-Tâmega, a família que o adoptou por apelido existe pelo menos desde a segunda metade do século XIII.

 

FREITAS - é um nome com raízes toponímicas dado derivar da designação do Paço de Freitas, na comarca de Fafe. Muitos são os genealogistas que fazem derivar os Freitas de D. Gonçalo  Ouveques, o fundador do Mosteiro de Cete.

 

GOMES - Tratando-se de patronímico, é óbvio que exisitiram muitas famílias que o adoptaram por apelido e que nenhuns laços de consanguinidade  ligavam entre si.

 

GUEDES - Tratando-se do patromímico do nome próprio Gueda, nem por isso deixamos de reconhecer que existiu uma família de mais alta hierarquia em que aquele se fixou como apelido desde remotas  eras, sendo aquela um ramo de linhagem dos «de Baião». Apesar de algo decaídos em relação à grandeza primitiva, estes Guedes lá foram mantendo parte substancial da antiga tradição, o que ainda se verifica na segunda metade do século XVI. São os chefes da antiga linhagem dos Guedes os descendentes dos morgados de Santa Comba, na sua linha de primogenitura.

 

LIMA - Nome de raízes toponímicas, seja ele derivado da designação da terra de Límia, na
Galiza, ou, como alguns pretendem em relação aos Limas portugueses, da de Ponte de Lima.

 

MONTEIRO - Poderá este nome ter raízes toponímicas, como pode derivar de alcunha granjeada pela prática de um ofício. Os mais antigos membros desta família que se conhecem documentados são do século XIV.

 

MORATO - Nome derivado de alcunha provável, desta família de origens espanholas passou a Portugal um ramo na pessoa de Gonçalo Morato, meirinho-mor de Leão que, depois de Toro se viu forçado a fixar-se no nosso país, vivendo e morrendo no Alentejo, em finais do século XIV, ali deixando descendentes que lhe continuaram o nome.

 

PESTANA - Esta família  da pequena nobreza do Alentejo usou as armas dos Costa, cuja linha mais antiga documentada é a varonia Marim Gil Pestana , escudeiro nobre que viveu em Évora na segunda metade do século XIV.

 

RAMOS - Sendo este nome derivado de simbologia religiosa, haverá mais que uma família a tê-lo adoptado por apelido.

 

SILVA - Nome de raízes toponímicas, foi extraído da torre e honra desta designação, junto de Calença. A linhagem que o adoptou como apelido é de remotas e nobres origens, pois que anteriores à fundação da Nacionalidade e derivada da Casa Real de Leão

 

SIMÕES - Tratando-se dum patronímico, existirão imensas famílias que adoptaram por apelido este nome, sem terem nada a ver umas com as outras.

 

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 Publiquei aqui, resumidamente, as entradas de alguns dos apelidos, que conheço, dos que visitam este blog.

Quem estiver interessado em saber a origem do seu nome, faça o seu pedido através do meu mail luisa34@netcabo.pt

 

Advertência - Isto é apenas uma brincadeira, sem quaisquer pretenções científicas.

Que me perdoe também o autor do Dicionário citado pelos cortes que fiz nas suas entradas. 

 

 

publicado por soaresesilva às 23:53

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33 comentários:
De Lucas a 1 de Outubro de 2007 às 13:30
Muito interessante essa história, Luisa... mas... apelido e sobrenome é a mesma coisa em Portugal? Não ficou claro pra mim. Bjs, t+!
De soaresesilva a 1 de Outubro de 2007 às 15:39
Em Portugal o apelido é o sobrenome. Àquilo que vocês chamam apelido para nós é "alcunha", isto é, um nome que se dá por brincadeira a uma pessoa.

Estive a ver no dicionário a família Andrade.

Andrade - Família de grande nobreza e antiguidade proveniente da Galiza, cujo nome deriva da vila de Andrada. Várias vezes os seus membros passaram a Portugal, mas foi só Rui Freire de Andrade que aqui se fixou em definitivo com seus dois filhos, em pleno século XIV, deixando larga descendência que adquiriu grande lustre ao longo das gerações.
De Anónimo a 15 de Dezembro de 2010 às 12:01
Bom dia.
Em Portugal apelido e sobrenome é a mesma coisa.
No Brasil vocês chamam apelido ao que em Portugal nós chamamos alcunha.
De mary a 1 de Outubro de 2007 às 20:21
querida Luisa
~
só sei que o seu nome faz me lembrar esta linda canção never out of fashion :)*
[Error: Irreparable invalid markup ('<a [...] jobim</a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

querida Luisa
~
só sei que o seu nome faz me lembrar esta linda canção never out of fashion :)*
<a href="http://play.rhapsody.com/album/fotografiaosanosdouradosdetomjobim/luiza?didAutoplayBounce=true"Luiza de Jobim</a>
De mary a 1 de Outubro de 2007 às 20:23
Luiza de Jobim (http://play.rhapsody.com/album/fotografiaosanosdouradosdetomjobim/luiza?didAutoplayBounce=true)

desculpa pelo erro
De Jorge G - O Sino da Aldeia a 1 de Outubro de 2007 às 22:01
Muito interessante esta aborgadem dos apelidos.

No que respeita aos Guedes, confirmo em absoluto essa história que já ouvia ao meu pai em pequenino e que os seus pais lhe haviam transmitido.
Sou descendente de Guedes dessa zona, Baião - Douro, embora ainda concelho limítrofe do Porto.
Uma mera curiosidade que aqui te deixo.

Um abraço.
De Jorge G - O Sino da Aldeia a 1 de Outubro de 2007 às 22:02
Estou decididamente a ficar disléxico!

Claro que queria escrever "ABORDAGEM"! eheheh!...
De Naeno a 1 de Outubro de 2007 às 23:45
Há uma estória que corre aqui no Brasil, que as famílias que chegavam de Portugal para morarem aqui, geralmente trocavam de sobrenome, utilizando-se desses contidos na tua lista. E é bem verdade, aqui existem os Andrades, os Freitas, Os Almendras, os Silva, os Ramos , etc..

Um beijo
Naeno

De maripossa a 2 de Outubro de 2007 às 00:06
Amiga Luísa. Muito bem pensado este post sobre os nomes, ou seja os apelidos" pois o meu é Ramos já estive a ver o que escreves aqui que tem simbologia religiosa! Muito engraçado gostei. Beijo de amizade maripossa
De Eterno Noveleiro a 2 de Outubro de 2007 às 00:06
Nossa, seu blog é muito interessante, parabéns pelo seu trabalho. Belíssima essa música instrumental que toca ao fundo. Conheci teu blog através do Cascudeando. Muito legal saber a origem de cada apelido (ou sobrenome, como se diz no Brasil) português. Mas o melhor é a pequena introdução filosófica do seu blog, descrevendo-o. Parabéns mesmo! Até breve.
De mary a 2 de Outubro de 2007 às 10:22
Para não fazer mais confusão nos seus commentarios, coloquei o "link" nos meus.

Mary
De bitu a 2 de Outubro de 2007 às 12:21
Interessante...eu acho que o meu apelido é de origem hebraica
De maria c. a 3 de Outubro de 2007 às 16:35
Olá Luísa,

Quero felicitar-te por esta interessante ideia. No que respeita ao apelido Carvalhosa também tenho as minhas fontes que, numa descrição naturalmente mais completa e alargada, não é, de todo, incompatível com a da origem que citas.

Beijinhos.
Maria Carvalhosa

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