Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

A MICRO-NARRATIVA

 Foto da Net

 

Deambulando por uma das nossas grandes livrarias encontrei nos escaparates um livrinho que chamou a minha atenção, intitulado "Primeira Antologia de Micro-Ficção Portuguesa, da Colecção Anti-Matéria, edição de 2008, sendo a selecção e organização dos textos de Rui Costa e André Sebastião. Segundo o o autor do prefácio o que há de específico na micro- narrativa é tão-somente a luta contra o supérfluo, contra o excessivo e contra o desnecessário.

Escolhi uma dessas "estórias" e espero que gostem, pelo menos, tanto quanto eu gostei.

 

"

Excesso de Poesia

 

Ia todos os dias à biblioteca e todos os dias era o primeiro a chegar. Pedia um livro de poesia e sentava-se de frente para a entrada, lendo e fantasiando. Sempre que a porta se abria, decolava disfarçadamente os olhos dum poema e observava quem entrava. Andou nisto anos a fio, entre versos, rimas e sonhos, procurando a mulher da sua vida. Quando a encontrou perdeu-a em poucos minutos. Na realidade, não teve prosa para ela.

                                                                                                                                                       :

 

Fernando Gomes, 1966

 

 

Foto da Net

publicado por jo às 13:55

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10 comentários:
De João a 2 de Outubro de 2008 às 16:58
Tirei as minhas ilações deste trecho (se não me engano) o homem tantos poemas leu que ficou a viver num reino fantástico e depois quando encontrou a "sua mulher" e voltou à terra não se integrou. Ela, claro, quando escutou os seus argumentos pensou "donde surgiu este louco". É a diferença entre a poesia e a prosa. Felicidades.
De mfc a 2 de Outubro de 2008 às 19:07
Perfeito conto... sem floreados a mais. Apenas com o cru essencial.
De vida de vidro a 2 de Outubro de 2008 às 20:10
O microconto é normalmente delicioso peo efeito surpresa que tem que resultar em tão poucas palavras. Gosto muito. **
De soaresesilva a 3 de Outubro de 2008 às 10:54
Em poucas palavras se resume toda uma vida: poesia sim mas com os pés bem asentes na realidade. Gostei do género.
De soaresesilva a 3 de Outubro de 2008 às 10:55
A segunda foto continua a não se ver.
De jo a 5 de Outubro de 2008 às 00:39
Quem vier ao nosso blog pode-me fazer o favor de referir se vê a segunda foto ou não? Eu vejo perfeitamente, mas a Luiza não.
De Jofre de Lima Monteiro Alves a 4 de Outubro de 2008 às 17:15
Malefícios da poesia na vida sentimental das pessoas?! O contista não foi de lirismo e destruiu à marretada anos de leitura e devaneios poéticos, de uma só penada. A poesia é sempre muito poderosa a imaginar, mas nem sempre construtiva a criar. O autor era certamente um nefelibata anti-líríco em País de poetas e de sonhadores. Boa semana com tudo de bom.
De Rosa dos Ventos a 5 de Outubro de 2008 às 01:13
O texto é engraçado mas gosto mais de textos com muito palavreado uma vez que as palavras fascinam-me. Se o objectivo da micro-narrativa é eliminar o excesso torna-se uma escrita "fria" porque o excesso é paixão.
Quanto à segunda fotografia: "rien de rien".
Um bom fim de semana
De ROSA DOS VENTOS a 5 de Outubro de 2008 às 01:19
O player com a canção da Kiri está um pouco "gordo" e tapou o meu micro-comentário. Mas não tem importância.
Tenho a impressão que anda aqui um virus. Isto hoje não esta muito católico.
De mary90 a 18 de Outubro de 2008 às 18:06
Ah ah ah!
Olá Jo.
Estas frases são muito boas para desanuviar, porque anda tudo muito nublado.
Beijocas.

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