Domingo, 25 de Dezembro de 2005

Passado que está o Natal, mais uma vez senti que a febre consumista invadiu as nossas casas sem que com isso houvesse maior felicidade.
Felizes os que num gesto simples vêem a dádiva do outro!
O dia de Natal está a chegar ao fim.
Para uns foi fonte de alegria, com a Família,
os Amigos, as prendas, as luzes, o perú.
Para outros foi a solidão, a noite escura,
um prato de sopa.
Que destes nos lembremos todo o Ano.
Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2005

NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?
David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2005

NATAL
De joelhos em terra, penitente,
junto à mangedoura, Deus Menino,
não te trago as prendas dos Reis Magos,
mostro-te o Mundo em desatino.
Vê os guerrilheiros mundiais
que em hordas vão chacinando os povos,
pagos sempre pelos capitais
dos que subjugam os países novos.
Vê aqueles que fabricam armas,
usam a ciência para a destruição.
e os que contaminam o planeta
com os resíduos da evolução.
Vê todos os que por ganância
vendem a desgraça pela cidade,
prometendo aos desiludidos
fugaz momento de felicidade.
Mas vê também todos os que sofrem
pelo mundo fora, inocentemente.
Que pagam com dor e com angústia
o querer viver humanamente.
Vê o famélico povo africano
em guerra fratricida há tantos anos,
os milhões de fugitivos do planeta,
escravos mundiais de novos amos .
Vê todo o sangue derramado
neste planeta, pelos inocentes,
o silêncio dos meninos, os refugiados,
as lágrimas secas no olhar ardente.
Vê os jovens, que por um ideal
têm por destino violento a morte,
e os milhares de desaparecidos
de quem ninguém sabe a sorte.
De joelhos em terra, penitente,
junto à mangedoura, Deus Menino,
peço-te perdão pela Humanidade,
que um dia falhou o seu destino.
Poema de Helena Guimarães

Para todos os que nos visitiram enviamos as nossas Boas-Festas !

e não esqueçam:
Love makes everyone's world go round
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005
Tenho ouvido todos os debates entre os candidatos a futuro Presidente da República e em todos eles ressalta a ideia de que afinal o Presidente pouco pode fazer porque a Constituição não deixa.
Impedir o Desemprego? Isso é com os Empresários
Reformar a Justiça? Isso é com os Magistrados
Tratar da Saúde ou da Educação? Isso é com o Governo
Todos têm óptimas ideias mas o facto é que não as podem pôr em prática.
Das duas uma: ou mudamos a Constituição e damos mais poderes ao Presidente ou simplesmente...escolhemos um Rei...
Falta ainda o debate mais esperado: a Lebre versus Tartaruga, mas, mesmo assim, atrevo-me a relembrar o grande António Gedeão no seu poema do "Livre Arbítrio:
Há uma fatalidade intrínseca, insofismável,
inerente a todas as coisas e nelas incustrada.
Uma fatalidade que não se pode ludibriar,
nem peitar, nem desvirtuar,
nem entreter, nem comover
nem iludir, nem impedir,
uma fatalidade fatalmente fatal,
uma fatalidade que só poderia deixar de o ser
para ser fatalidade de outra maneira qualquer,
igualmente fatal.
Eu sei que posso escolher entre o bem e o mal.
Eu sei que posso fatalmente escolher entre o bem e o mal.
E já sei que escolho o bem entre o mal e o bem.
Já sei que escolho fatalmente o bem.
Porque escolher o bem é escolher fatalmente o bem,
como escolher o mal é escolher fatalmente o mal.
O meu livre arbítrio
conduz-me fatalmente a uma escolha fatal.
in Novos Poemas Póstumos, Edições Sá da Costa, 2002
Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2005

Eles são de barro, mas transmitem paz, conceito tão arredio nestes tempos que correm.
Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2005

"Big Brother watching you" ficcionou George Orwell nos idos anos 80, em Portugal em 2005 poderemos dizer:
De como a realidade ultrapassa a ficção!
Escandalizemo-nos, e fortemente, pois, parece, que eles estão por todo o lado espiando-nos!

A FRIEND MAY WELL BE RECKONED
THE MASTERPIECE OF NATURE
Ralph Waldo Emerson
OF ALL THE GIFTS THAT A WISE
PROVIDENCE GRANT US TO MAKE
LIFE FULL AND HAPPY
FRIENDSHIP
IS THE MOST BEAUTIFUL
Epicurus
In Springs of Frienship
Search Press London, 1970