O sol ainda não nascera. O mar apenas se distinguia do céu pelo leve preguear das águas, semelhante a um tecido finamente enrugado. Lentamente, à medida que o céu clareava, uma barra de sombra desceu no horizonte, separando o céu do mar, e o grande tecido cinzento ficou marcado por grossas linhas que se agitavam sob a superfície, persegindo-se num ritmo infindável.
Ao aproximarem-se da praia as ondas erguiam-se, tomavam forma e desfaziam-se arrastando pela areia um ténue véu de espuma branca. A ondulação detinha-se, partia de novo, suspirando como alguém que dorme e cujo sopro vai e vem sem que a sua consciência o saiba.
Viginia Woolf in "As Ondas"
O artista não é Picasso, mas não sei se por muito apreciar esse periodo da vida do grande pintor, também as suas pinceladas, ultimamente, lhe fogem para essa cor. Pega na paleta olha todas as cores, mas:
Azul é o céu,
Azul é o mar,
Azul é o olhar limpído das crianças,
Azul é a água dos rios
Azul é a cor do seu vestir
Azul, azul, qualquer tom de azul é o seu pensar!
Virgínia Villa Nova de Sousa Victorino (1898-1967) .Poetisa e escritora teatral, com o Curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, de piano, canto, harmonia e italiano do Conservatório Nacional de Lisboa. Professora do liceu, trabalhou também na Emissora Nacional onde dirigiu o teatro radiofónico. Publicou vários livros de versos e peças teatrais, muitas das quais foram levadas à cena no Teatro Nacional D. Maria II. Recebeu o prémio Gil Vicente do SNI pela peça Camaradas. Tem vasta colaboração espalhada por jornais e revistas portuguesas e brasileiras.
Encontrei um livro desta escritora num alfarrabista de Alcobaça. Confesso que nunca tinha lido nada dela e achei bonitos alguns dos seus sonetos.
Renúncia
Fui nova, mas fui triste; só eu sei
como passou por mim a mocidade!
Cantar era o dever da minha edade...
Devia ter cantado, e não cantei!
Fui bella. Fui amada. E desprezei...
Não quiz beber o phyltro da anciedade.
Amar era o destino, a claridade...
Devia ter amado, e não amei!
Ai de mim! Nem saudades, nem desejos;
nem cinzas mortas, nem calor de beijos...
- Eu nada soube, nada quiz prender!
E o que me resta? Uma amargura infinda:
ver que é, para morrer, tão cedo ainda,
e que é tão tarde já para viver!
In Renuncia, Lisboa 1926
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