
COMEMORAM-SE HOJE OS SETENTA ANOS
DA MORTE DE FERNANDO PESSOA
Ao ler-se o poema NEVOEIRO, de 1928,
(Mensagem, Ática, 1950)
parece que Fernando Pessoa está a viver
os nossos tempos. Atentem, porém,
na última frase e tenham coragem!
Nem rei, nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ancia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!