Sábado, 22 de Julho de 2006

Depression
Tara Laurant
Dedico este post ao blog http://www.camuflagens.blogspot.com/
"Enquanto Henrique comia, ellas, sem deixarem de o observar com a natural curiosidade de quem havia tanto tempo não tivera um hospede, faziam-lhe perguntas, às quais elle ia respondendo conforme lhe era possivel.
- Tu dizias-me na tua carta que estevas doente; pois olha que na cara não o parece.
- Não - concordou a criada - tem boas côres, e, vamos, a magreza inda não é lá essas coisas.
Era este o ponto fraco de Henrique; respondeu logo ao reclamo.
- Não me digam isso! Então não vêem como estou? Pois isto é lá côr de saúde? de febre, será. Gordo? Pois acham-me gordo?!
- Gordo não digo, mas mesmo assim, assim...E depois como vieste de jornada...Mas afinal que moléstia é a tua, menino?
- Eu sei lá, tia Dorothéa? Nem os médicos a conhecem bem. É, entre outras coisas, uma tristeza, uma melancolia, que me não deixa, que me persegue por toda a parte. Às vezes parece-me que sinto apertar-se-me dolorosamente o coração; outras, são palpitações, ancias...Tenho quasi vontade de chorar, irrito-me, impaciento-me, não quero que me falem, nada quero vêr, nada quero ouvir; não leio, não durmo, não como. Finalmente todo eu sou doença e tristeza.
A boa tia Dorothéa olhava com sisudez e attenção para o sobrinho, enquanto elle falava, e na physionomia iam-se-lhe desenhando, ao ouvi-lo, os mais expressivos signaes de espanto e consternação.
Assim que Henrique terminou a exposição, ella disse-lhe com uma adorável candura:
- Então é assim uma especie de mania!
À palavra "mania" Henrique sobresaltou-se. Seria a consciência que se sentiu ferida?
- Mania? Ó tia Dorothéa! Mania! Veja bem, olhe que o termo é forte? Mania!
- Sim menino - insistiu ingenuamente a boa senhora - pois olha que não é outra coisa. Pois isto de estar triste sem ter de quê...sim..porque não te morrendo ninguem nem te doendo nada..."
Júlio Diniz (escritor e médico) in A Morgadinha dos Cannaviaes
O nosso sempre querido Poeta Júlio Dinis... e que ainda mais me fez recordar as Radionovelas que ainda há dias mencionei...
De
APC a 23 de Julho de 2006 às 05:39
Ehehehehe, brilhante! :-)))
E até que a psique das gentes ganhasse lugar no rol das preocupações clínicas, foram anos...
Adorei!!!!
E o mais curioso é que existe um "elle" e uma "ella" como personagens, pelo que, pagando-te na mesma moeda, convido-te a bisbilhotar um texto meu (que é, secretamente, a origem do meu blog): chama-se "O Anjo".
Mil Xis!!!
Olá Luísa, olá Jo!
Ultimamente o meu tempo é muito pouco, para poder fazer as minhas visitas aos blogs preferidos, mas... sempre que puder cá estarei!
Gosto imenso de aqui vir. Têm sempre o vosso cantinho super actualizado e com posts muito interessantes!
Beijos às duas e boas féria, se fôr o vosso caso. *****
Lu Costa
Que escolha fabulosa este texto de Julio Dinis... e para o tratamento para esta "mania" não há Prozac ou antidepressivo que lhe valha... doença se amor é assim...
Beijo
De
Bia a 23 de Julho de 2006 às 17:12
Olá!Passei rapidamente para desejar um bom domingo!
Bjs.
De
jo a 23 de Julho de 2006 às 18:06
Que mania, que a depressão é uma mania. Não é só do tempo do Julio Dinis, há muita gente que assim continua a pensar. Essas precisam de passar por uma para então compreenderem o sofrimento que é estar depressivo, por vezes objectivamente, sem se saber porquê.
De Sindarin a 23 de Julho de 2006 às 18:14
Olá querida amiga. Venho trazer um bj e felicitar-me por ler mais um lindo post. Júlio Dinis um escritor k adoro ler. Uma semana cheia de coisas boas. Mil bjs, obrigado pela visita.
De
Eternal a 23 de Julho de 2006 às 19:33
Gostei muito do teu cantinho =) acolhedor.
Beijinho lunar
De
Ana S a 25 de Julho de 2006 às 22:56
Boa forma de animar quem precisa. A Tristeza não aparece só a quem morre alguem ou doi alguma coisa. Existem muitas mais formas de sofrimento do que meramente fisicas. :)
De
Nice a 28 de Julho de 2006 às 12:18
Até hoje não tenho opinião formada sobre o assunto. Estive deprimida duas vezes na miha vida, uma porque tive de mudar-me para um país no qual eu não queria viver (mas era mais raiva do que derpessão) e outra pelo fim de uma relação de 4 anos, da qual por incrível que pareça, eu é que me quis livrar.
Agora sem ter um motivo mt forte não sei se deva achar que é mesmo uma depressão ou uma coisa qualquer. Acredito mais em causas físicas do que psíquicas para uma verdadeira depressão (como por exemplo o bipolarismo).
Enfim... é a minha ideia...lol
De
Manuel a 28 de Julho de 2006 às 21:22
Já li o livro, já lá vai muito tempo. Creio que o possuo, mas onde está nem sei. É evidente que as passagens do livro já se foram, mas ao ler pequeninos textos há sempre coisas que afloram.
Fica bem.
Manuel
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