Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

Rosa Branca pero Negra
Patrícia Quintana-Pinto
Como é que a roseira foi envelhecendo,
Se não era ainda para não dar flor?
Se não era ainda
Para estar perdendo
Toda a cor
De linda?
Mas seus botões murcham que é um disparate
Vê-los, sem abrirem, como a amortalhá-la,
E o sol, que a vestia
Toda de escarlate,
Vem achá-la
Fria...
Jovem jardineiro, por que é que a roseira
Já te não dá rosas para a botoeira?
Ai, já não dá rosas, já não tem frescura,
Já lhe passam Maio mais Abril distantes...
Mas suas raízes mesmo assim cresciam:
Vão a mor fundura
Do que dantes
Iam.
José Régio - Cancioneiro de João Bensaúde
De
jo a 28 de Novembro de 2006 às 19:37
A roseira, como todos nós, cumprimos o nosso ciclo de vida, mas mesmo, às vezes, já murchas os encantos continuam.
Rosa Branca pero Negra
Patrícia Quintana-Pinto
Lindíssima esta Rosa e Poema !...
"Mas suas raízes mesmo assim
cresciam:" ...
- E, outras rosas abrirão...
Suas visitas sempre Bem-Vindas, Jo
Linda semana
Beijinho*
Muitas raizes ainda nos ligam ao mundo, à nossa família, aos nossos amigos !...
Saibamos aproveitá-las para viver com a alegria que nos for possível, e recolher da melhor maneira as pétalas que ainda nos mantêm ligados a este mundo, por vezes tão cruel, mas que ainda merece um sorriso, nem que seja com uma lágrima escondida...
De
Juda a 28 de Novembro de 2006 às 22:41
Olá, boas palavras... boa musica, um abraço...
De
Jorge G a 28 de Novembro de 2006 às 23:03
Não conhecia este poema.
Mas Régio, sim. Foi um dos maiores vultos da nossa literatura do séc.XX
Romancista, poeta, dramaturgo, ensaista ( deixou estudos sobre Camões e Florbela Espanca, por exemplo) e fez mesmo incursões nas artes plásticas, chegando a ilustrar alguns dos seus "Poemas de Deus e do Diabo" para a revista Presença.
Neste poema, Régio deixa-nos o sentido do primado da sabedoria sobre a beleza. O fortalecer das raízes, enquanto se extingue o tempo do brilho exterior e efémero da beleza.
Régio terá sempre lugar cimeiro na Literatura portuguesa.
De
Maria a 29 de Novembro de 2006 às 17:43
Lindo este poema das rosas! Que profundo que belo! Beijinho.
De
badala a 29 de Novembro de 2006 às 18:44
Que lindo o poema.
De
João a 29 de Novembro de 2006 às 19:44
Faz-me lembrar uma velha roseira que ainda perdura no quintal da minha memória, roseira essa que se hoje ainda fosse viva teria mais de 40 anos. Lembro-me que mesmo já velhinha, dava sempre rosas grande, vermelhas e bem cheirosas. Em pequeno também lhe retirei muitos botões que deitava no riacho e ficava a contemplar até desaparecerem ao longe. De José Régio conheço algumas obras, como O filho do Homem e Há mais mundos, mas esta poesia não conhecia. Bjs.
De Zalinha a 29 de Novembro de 2006 às 21:16
Tudo na vida tem sua beleza e seu tempo,a roseira tb o tem,mas aida que murcha e seca não lhe é retirada a beleza que tem.Bjs e bom resto de semana:)
Não conhecia este poema de José Régio.
Há rosas e apesar dos anos passarem mantêm ainda a frescura e a vitalidade!
Beijinhos
De
unicus a 1 de Dezembro de 2006 às 12:00
Escolheste um dos grandes vultos da poesia portuguesa.
Bjs
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