Vou muitas vezes à estante e tiro um livro ao acaso. Desta vez veio-me à mão uma obra de Virgil Gheorghiu, A Casa de Petrodava. Não o lia há anos e foi um prazer relê-lo. Deixo-vos um extracto deste belo romance.
" - É justamente porque o conheço e me conheço que mais hesito - diz Roxana - Como poderemos viver juntos se somos tão diferentes um do outro? Em primeiro lugar, não conseguirá suportar a minha natureza. Sou toda gravidade. Toda violência. Exactamente como a água duma fonte subterrânea que, no instante em que conseguiu quebrar a rocha que a conservava prisioneira e sair à superfície, parte em linha recta, sem um meandro, sem um olhar para ela própria ou para o que a rodeia. A nascente torna-se torrente. Eu assemelho-me a ela. No instante em que me atire do alto da rocha materna para a vida torno-me torrente. No instante em que me resolva a partir, ninguém já me poderá deter. Caio da minha rocha verticalmente, em cascata, para o cumprimento do meu destino, para o meu fim. Desdedaço-me, esmago-me e esmago as rochas que estão ao pé de mim. Como a torrente. A espumar. Mas jamais conhecendo outra direcção que não seja a linha recta."
C. Virgil Gueorghiu, nascido na Roménia em 1916, foi para França depos de segunda guerra mundial e tornou-se famoso com um livro que é, sem dúvida, uma obra-prima do século XX: A 25ª Hora. A seguir, escreveu uma vasta obra, ingressando depois nas Ordens Sagradas, tornando-se padre ortodoxo em Paris.Morreu em 1992.
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