
L'enfant aux ballons - David Jamin
"Junto aos Armazéns do Grandella havia um homem a vender balões, e, fosse por tê-lo eu pedido (do que duvido muito, porque só quem espera que se lhe dê é que se arrisca a pedir), fosse porque minha mãe tivesse querido, excepcionalmente, fazer-me um carinho público, um daqueles balões passou à minha mão. Não me lembro se ele era verde ou vermelho, amarelo ou azul, ou branco simplesmente. O que depois se passou iria apagar para sempre da minha memória a cor que deveria ter-me ficado pegada aos olhos para sempre, uma vez que aquele era nada mais nada menos que o meu primeiro balão em todos os seis ou sete anos que levava de vida. Íamos nós no Rossio, já de regresso a casa, eu impante como se conduzisse pelos ares, atado a um cordel, o mundo inteiro, quando, de repente, ouvi que alguém se ria nas minhas costas. Olhei e vi. O balão esvasiara-se, tinha vindo a arrastá-lo pelo chão sem me dar conta, era uma coisa suja, enrugada, informe, e dois homens que vinham atrás riam-se e apontavam-me com o dedo, a mim, naquela ocasião o mais ridículo dos espécimes humanos. Nem sequer chorei. Deixei cair o cordel, agarrei-me ao braço da minha mãe como se fosse uma tábua de salvação e continuei a andar. Aquela coisa suja, enrugada e informe era realmente o mundo."
José Saramago in As Pequenas Memórias
De
Ventor a 5 de Julho de 2007 às 22:58
Todos temos os nossos balões e quantas vezes, com os balões, as nossas surpresas.
Uma vez, fui a um infantário buscar uma menina, filha de uma prima minha, com menos de dois anos e como tinha sido, por acidente, para que não ficasse aborrecida ver-me a mim em vez da mãe, deu-me para lhe comprar um balão. Ela ia toda encantada com aquela coisa tão simples. Por acaso recordo-me que era azul! Ao descer as escadas para o Metro, no Marquês de Pombal, ela ia toda encantada a olhar o balão lá em cima suspenso num cordel. Com a diferença de temperatura, baaam!!! A miúda, puxou o cordel e olhou em redor, silenciosamente, com os olhos esbugalhados a ver onde o balão se teria metido. Ao ver que não o encontrava e enquanto eu esperava uma berraria, olhou para mim, abriu os braços e passou-me o cordel. Percebeu logo que o mundo dela se esvaiu ali. Fiquei admirado porque não houve a surpresa do choro. Em tantos anos e com tantas crianças a quem ofereci balões, nunca vi reacção igual. Bjs.
De
Balões a 30 de Dezembro de 2008 às 18:01
E o que dizer das crianças de hoje, que com tanta oferta de brinquedos, muitas nem sequer brincam mais do que alguns minutos com o brinquedo que acabaram de receber.
De carla granja a 6 de Julho de 2007 às 02:05
olá. gostei do teu blog e da historia do balão, é engraçado pois agora fiquei a pensar kem terá sido a primeira pessoa k me deu um balão e de k côr seria. lembro-me de uma historia minha de kuando era pequena mas foi com uma boneca k eu peguei nela e fiz-lhe um corte de cabelo radical a pensar k depois logo crescia, kuando me disseram k isso nao ia acontecer , não chorei,mas não cortei mais cabelos até hoje. eu tmb tenho um blog com poemas feitos por mim e fotos tmb,se kiseres dá uma olhada
.http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt
bjo
carla granja.
De
Ana S a 6 de Julho de 2007 às 14:30
Mesmo que o mundo seja sujo e informe vale sempre a pena viver. bom fim de semana
De Sindarin a 6 de Julho de 2007 às 19:25
Olá qerida amiga! Fiquei sem palavras simplesmente. A maladade dos homens ñ se compadece com o olhar duma criança. Bonito o quadro. Deixo um imenso beijinho carinhoso e o desejo de um magnífico fsemana!
Amiga Luísa. Belo este quadro humano, pois a tua história é linda, mas o homem como sempre estraga a ilusão de um simples olhar de uma criança, essa que eras tu. Beijinho amiga, bom fim semana
maripossa
De
Rhiannon a 7 de Julho de 2007 às 01:22
Quantos balões vazios, sem darmos conta, já arrastamos... Continuo a acreditar que outros há, e ninguem se apercebe, que vão coloridamente cheios na nossa mão.
Sinceramente, e porque não li estas "Memórias " do Saramago, convenci-me até ao fim que estava aler uma história tua, como se pudesse també ser a de qualquer um de nós.
Cedo "o mundo" se tornou, assim, enrugado e sujo para aquele menino.
Mas quantos de nós não andamos a arrastar um desses balões pela vida inteira? Quantos?!
Gostei imenso do quadro com que ilustras este excerto.
Um abraço.
Luisa, porque será que dói tanto (seja em que idade for) verificar que o nosso mundo se enrugou, se rompeu no alcatrão de um chão imundo?
Bom quando se têm um colo de mãe para nos proteger... a minha já partiu há muito.
Um abraço, amiga. E um bom fim de semana.
As memórias da nossa infância, para mim um tempo feliz e de felicidade impar, embora sem balões, luxo que não havia na minha aldeia minhota. Cara Luísa, desejo boa semana, a par do meu intenso prazer em visitar o teu aprazível blogue, sempre atraente e interessante.
De
Martuxa a 8 de Julho de 2007 às 12:35
Gosto tanto de soltar balões e os ver voar =)
Sorrisos e beijinhos
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